
Efeito Frankenstein nas marcas de PMEs
Gilson Maia


Efeito Frankenstein
Como marcas fragmentadastravam o crescimentodas PMEs
Quando um cliente chega até mim pela primeira vez, eu peço para enviar tudo que tiver, para que eu possa fazer uma imersão no cenário atual, site, Instagram, proposta comercial, cartão de visita, apresentação em PowerPoint.
Raramente tudo isso parece ter vindo da mesma empresa.
É o logo antigo numa cor, o site com outra paleta, o Instagram com quatro estilos diferentes de post, a proposta com uma fonte que nunca aparece em outro lugar. Cada peça foi feita por alguém diferente, em momentos diferentes, sem um fio condutor.
Eu chamo isso de Efeito Frankenstein.
O que seria Efeito Frankenstein numa marca?
Na história do Dr. Frankenstein, a criatura é montada com partes de corpos diferentes. Cada parte é tecnicamente funcional. O resultado é um ser que não pertence a lugar nenhum e que assusta quem encontra.
Marcas Frankenstein funcionam da mesma forma. Cada peça foi feita com alguma boa intenção, isso é fato, mas de forma separada e sem contexto. O logo por um designer, o site por uma agência, o Instagram por um freelancer, o material impresso por uma gráfica. Nenhum conversou com o outro.
O resultado é uma identidade que ao mesmo tempo é tudo e não é nada. O cliente percebe antes de conseguir articular. Algo “parece errado”. Falta consistência. Falta personalidade. A empresa existe, mas a marca não.
Para quem está dentro da empresa, tudo faz sentido. Para quem está fora, a percepção é de desorganização. E desorganização gera desconfiança. E desconfiança impede a venda premium.
Como o Efeito Frankenstein aparece na prática
No site: paleta de cores diferente da do Instagram. Tipografia diferente da do cartão de visita. Tom de voz informal no feed, formal demais no e-mail corporativo.
Na proposta comercial: layout improvisado, fontes sem relação com a identidade, cores que não existem em mais lugar nenhum da empresa.
No atendimento: o vendedor fala de um jeito, o conteúdo do Instagram comunica outro, o site promete uma terceira coisa.
Para quem está dentro da empresa, tudo faz sentido, cada peça tem uma história, uma justificativa. Para quem está fora, a percepção é de desorganização. E desorganização gera desconfiança. E desconfiança impede a venda premium.
O custo real de uma marca Frankenstein
Existe um custo que nenhum gestor coloca na planilha mas que aparece todo mês na margem de lucro:
o custo de não ter posicionamento claro.
Quando a marca é inconsistente, o cliente não tem critério de comparação além do preço. Ele não consegue identificar claramente o diferencial. Então pede desconto. Ou vai para o concorrente que parece mais organizado, mesmo que entregue menos.
Além disso: o time que produz conteúdo precisa reinventar a roda toda semana porque não existe guia. O novo colaborador não sabe como a empresa deve soar. O gestor de tráfego não sabe qual identidade usar no anúncio. Cada decisão criativa começa do zero.
Isso se chama custo operacional de marca. E ele é silencioso, constante e muito maior do que parece.
Como diagnosticar se a sua marca tem o Efeito Frankenstein
Cinco perguntas para fazer agora:
1. Se alguém ver seu site, seu Instagram e sua proposta comercial sem saber que são da mesma empresa, vai reconhecer a mesma identidade nas três peças?
2. Você tem um documento com a paleta de cores exata, as fontes oficiais e as regras de uso do logo, ou cada peça é feita na intuição de quem está criando naquele momento?
3. O tom de voz dos seus posts no Instagram é o mesmo de uma resposta de e-mail para um cliente novo?
4. Um colaborador novo consegue criar um material seguindo a identidade da empresa sem te perguntar nada?
5. Você sente orgulho de mostrar o site e o Instagram da empresa para um cliente que ainda não te conhece?
Se a resposta para qualquer uma dessas for não, você tem uma marca Frankenstein e ela está custando mais do que o investimento para corrigi-la.
E o que muda com uma marca estruturada?
Uma marca estratégica não é uma questão de estética. É uma questão de consistência. E consistência é o que gera confiança. E confiança é o que sustenta preço, atrai o cliente certo e faz o time trabalhar com mais clareza e menos retrabalho.
Quando a identidade está definida, posicionamento, arquétipo, paleta, tipografia, tom de voz, manual de aplicação, cada nova peça criada reforça a mesma percepção no cliente. Em vez de fragmentar, cada ponto de contato constrói.
A marca para de ser um monstro de partes soltas.E começa a ser um sistema que trabalha por você.
Cada marca tem um ponto de partida diferente. Me conta um pouco sobre a sua e a gente entende juntos qual é o melhor caminho.
